domingo, 19 de abril de 2009

Kariri xocó

Como combinado, os índios Taré, Iraçé e Içá, da tribo Kariri xocó, visitaram o Projeto Deixa o menino brincar, no dia 17 de abril, e se apresentaram como parte das atividades da Sexta Feira Bamba. Foram reverenciados pela turma não só curiosa mais muito desejosa de desfrutarem da convivência com eles, mesmo sendo por um curto período. Voltem mais! Foi assim que um menino do projeto se despediu dos índios que saíram satisfeitos e desejosos de voltar.
Um bom papo foi mantido, intermediado pelos repórteres da TV Capoeira, através do qual se ficou sabendo sobre o cotidiano, costumes culturais, esportes, história e desejos da tribo Kariri Xocó, geograficamente, situada nas fronteiras dos Estados de Sergipe com Alagoas. Içá, filho do cacique Aruã, principal interlocutor do grupo presente, na ocasião se expressou muito bem. Ficamos certos de que o nhenhenhém e os arremedos folclóricos com os quais costumávamos interpelar os índios já não fazem mais sentidos. Os índios estão adiante disso e apitam. O hohoho (batendo na boca) é grito de guerra mesmo.

Além de cantarem músicas e tocarem instrumentos indígenas com a maraca, Tare, Iraça e Iça dançaram o torè, dança de natureza sagrada e a convite deles se integraram meninos e estrangeiros presentes no ato. O ambiente se tornou mais propício para aproximações, atos de camaradagem e integração culturais. Os índios foram convidados para as rodas de capoeira e samba que os meninos conduziram. Tal e qual fazem os capoeiras manhosos primeiro se integraram tocando maracas na xaranga. Quem garante que maraca não presta para bateria de capoeira? Depois, então, de observar o jogo Iça entrou na roda e se desenvolveu brincando com a garotada, deixando pra lá a discussão se índio joga ou não joga capoeira.
Indagado sobre a relação dos índios com a capoeira eles deram algumas pistas: citaram a palavra aruandê tão bem dita na capoeira como por eles em suas músicas: inclusive cantaram uma que começa com aruandê e termina falando em roda de capoeira. No meio da entrevista os índios fizeram menção à palavra vadiar: “no tempo antigo os índios apreciavam os negros vadiar”. Vadiar como se sabe serve para a capoeira e o samba e na roda de samba todos os presentes caíram. Como o samba é bom para misturar! Para encerrar mostraram peças do artesanato kariri xocó, algumas incorporadas ao acervo do projeto Deixa o menino brincar, que deverão ser utilizadas nas atividades diárias do projeto. No fim um munguzá foi servido para todos os presentes.




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