Pouca gente presente. Bem pouca. Algumas razões dadas para a explicar a evasão, pois no primeiro dia tanta gente freqüentou.
- As chuvas que caíram durante o dia;
- Alguns se esqueceram;
- Alguns se empolgaram com a novidade e depois esmoreceram
- Uma avó que cria três dos alunos impediu os mesmos de comparecerem com um bom argumento: seus netos estavam com dedicação excessiva à capoeira (freqüentando-a durante as tardes e as noites) e em conseqüência, estavam sempre acordando cansados para ir para a escola no outro dia. Com sabedoria nos alertou pra não estarmos proporcionando brincadeiras fora de hora. Avó falou tá falado. Brincadeira tem hora já alerta o samba e a capoeira mesmo sendo brincadeiras, vadiação. Conselho atendido. O Pontinho de Ludicidade tem constatado como sinal desses tempos, que muitos dos alunos envolvidos no projeto são criados pelos avós, substituindo os cuidados de pai e mãe, alguns desses sem tempo para cuidar dos filhos no dia a dia. Assim menino criado com vó já não têm aquela conotação de antigamente: menino amarelo. Com muita ou pouca gente manteve-se o hábito e aula de inglês se desenrolou...
Enquanto a aula de inglês se desenrolava Vitor, Rafaela e Gerson se ocupavam com outras atividades - brincadeiras: desenhar, internet, zarabatana, um fustigando o outro, vez em quando uma birra.
Na ocasião enquanto desenhava Vitor, indagado sobre algumas coisas da sua vida passou essas informações sobre seus gostos:
Gosta de brincar de bicicleta, skate, bola, baleô. Capoeira ele adora: “capoeira é minha vida”. Tocar berimbau, pandeiro, caxixi, agogô, tocar tambor, brincar de corda, balanço no parque da Casa da Mandinga. Gostaria que seu pai e sua mãe estivessem na Academia de Capoeira. Disse que tem dois pais. Um é Bilinho que mora na Espanha: “todo dia eu choro com saudades dele”.
Obs: Se pela de medo, sai correndo, toda vez que se lê para ele o cordel A Luta do Mestre Gigante contra o Lubizone. Parece treta....
O dever de casa de Minie (uma blog historinha):
Nessa sexta feira bamba, Agnes Maria, trouxe seu dever de casa, por ela solicitado para fazer. Foi sugerido a ela o tema: uma menina capoeira e desenhos. Olha só o resultado:
A menina capoeirista
Era uma vez uma menina. Ela era bonita, quieta. Chegou um certo dia que a mãe dela botou ela na Mandinga. Um mês depois aprendeu a gingar direito. Ela disse à mãe: Mãe a Mandinga é muito legal, eu até sei gingar. - Òh! A mãe pergunta: qual o nome do professor? A menina respondeu. Tenho quatro professores: Chipa, Guerreiro, Algodão e Tucano.
Ha, meu Deus, são 14 horas. Tchau mãe, vou para a capoeira. Beijos. Depois de uma hora, a menina chegou. A mãe dela disse: filha por que hoje demorou uma hora? A filha respondeu: eu te disse, mãe, quando eu fui para a capoeira, que também ia sair com Maria, Juliana, Agnes, Camila, Bia, Thiago e Felipe. Te amo!
Ensaio do jogral
Nesta sexta feira teve prosseguimento o ensaio do jogral. A idéia é fazer uma leitura sonorizada e com algumas imagens via suporte eletrônico do cordel de Victor Garcia a A Luta do Mestre Gigante contra o Lubizone, que faz muito sucesso no meio da garotada, para apresentá-lo, em breve, em data ainda a ser estabelecida. Os ensaios foram comandados por Sapoti, e o treino da leitura, acompanhada de sonoplastia fez um enorme sucesso. De início, uma balburdia capaz de inviabilizar o projeto se instalou: o tudo no tudo (tocar todos os instrumentos) queria a garotada. Quando começou a ler a história, Vitor, aquele que tem medo do Lubizone se picou novamente.
Inviabilizar nada: balburdia de menino é coisa boa. Pode ser sinal de bom gosto. E era: todos se integraram e curtiram. Briga, se mais teve foi para participar mais ainda. Melhor ainda o rap Xarope se integrou ao projeto e vai enriquecer a leitura com seu talento.
Ah sim... Olha só: o Vitor que se pelava de medo do Lubizone se integrou naturalmente na atividade e ainda fez lambança para participar. Treteiro...
O rap
Com o ensaio do jogral a temperatura da alegria da sexta feira bamba começou a subir. Quando chegou a vez do rap esquentou mais ainda. Xarope, que comparece todas as sextas, já é aguardado com ansiedade. Suas brincadeiras, brincadeiras com ar de seriedade, já foram assimiladas numa boa pela turma. A bateria que vem sendo treinada, cada dia está mais diversificada e potente, e, nesta sexta feira contou com a presença do ás do cavaquinho Ney Pontão de Cachoeira. E, cada vez mais ritmada, vai se preparando para dar fundo a poesia recitada do rap da Mandinga que se advinha, vindo por aí. Na bateria um berimbau de lata, cuja fabricação foi pesquisada na coleção de Instrumentos Musicais de Emilia Biancardi, orientadora musical do Pontinho de cultura, tocado individualmente, se transformou num instrumento de toque coletivo (A meninada tem muita arte!).
Sucesso fez uma nova brincadeira introduzida por Xarope: roubar a palavra. Uma pessoa inicia uma história e no meio da narrativa outra pessoa rouba a última palavra citada pelo narrador e a partir dela se torna narrador de outra história e assim sucessivamente. (Uma das bases narrativas do rap, que vai incrementar ainda mais a carretilha de poesia do pontinho).
E veio o break
Beleza pura a apresentação da turma do Estilo Brasil, grupo de Break do Nordeste de Amaralina, outro bairro de uma riqueza cultural inestimável, lugar onde morou o mestre Bimba. A turma é bamba e na mostra das suas habilidades a evidência de movimentos e manobras da capoeira; uma arte irmã da outra, com certeza. No decorrer da apresentação surgiram as muitas oportunidades para apresentações de capoeira, rap e de situações oportunas para as misturas da capoeira com o rap através de desafios verbais, e com o break através das habilidades corporais. Aliás de um e outro corporais da mesma forma: nestas oportunidades animadas por estas culturas, toda hora o verbo se faz carne. Por tudo, por qualquer toque se mexe o corpo. Na Casa da Mandinga (por causa da sua natureza) em se misturando tudo acontece. Aqui já se misturou capoeira angola com regional, tradicional com contemporânea, capoeira com samba, com circo, com maculelê, com a ladja da Martinica, com a mouring da Ilha de Reunion, com a bássula de Angola/África. Quando esteve presente numa dessas misturas João Grande, aquele a quem Deus mandou ao mundo para jogar capoeira, gostou e a garotada se esbalda. Como dizia aquele poeta: a alegria é a prova dos nove.
O break vai voltar...
Uma sexta que começou tão desanimada terminou em festa. Seu Régis que toma conta da casa todos os dias observou: "hoje a alta estima estava em cima."
Que assim seja com as bênçãos de Oxalá!

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